Depois de um interregno devido a questões académicas, cá estou para comentar uma situação que me deixou perplexo e não posso deixar de opinar.
O tema é o já afamado enriquecimento ilícito. Bom, para principiar, é incontornável que este tema é polémico, mas que precisa de encontrar uma solução justa e adequada, pois deve-se encontrar uma forma de combater o enriquecimento ilícito, pois assim se estará a combater a corrupção, mas é preciso não esquecer os direitos fundamentais dos cidadãos e sobretudo sobre quem ficará onerado com o ónus da prova. Esta última questão, mais jurídica, ficará para outro artigo, neste momento proponho-me somente a comentar a proposta feita pelo governo.
O governo PS propõe uma solução administrativa em vez de penal, ao fazer com que o enriquecimento ilícito passe a ser taxado por via da administração fiscal, em que a punição podia ir até aos 60%. Bom, esta solução não poderia ser mais ridícula. Em primeiro lugar, o Estado está a tentar entrar numa matéria que deveria ser penal, sendo que o fisco faz de juiz, com uma pequena (grande) diferença: as garantias dos cidadãos ficam pendentes da administração fiscal. Em segundo lugar o administração faz de sócio do prevaricador, isto fazendo um paralelo com os filmes da máfia, o Estado aparece aqui como Boss, que deixa ao seu subalterno 40%, fazendo, desta forma, o que era 100% ilícito se torne 40% lícito. Realmente, quem pratica o ilícito compensa…pelo menos em 40%! Que não haja a menor dúvida que o Leviatã de Hobbes e a máquina consumidora do Estado proclamada por Rosseau continuam vivos.
domingo, 24 de maio de 2009
sábado, 28 de março de 2009
Proibir o casamento entre pessoas do mesmo sexo é inconstitucional?
Começo este artigo referindo que ele pretende dar uma análise jurídica sobre a alegada inconstitucionalidade ao proibir-se o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Como já tive ocasião de referir neste blog, sou totalmente a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo e para aí remeto a análise das minhas razões, contudo, não estou de acordo com a análise feita por muitos juristas, que apoiando o casamento entre pessoas do mesmo sexo, apoiam-se no argumento de que os artigos 1577.º e 1628.º, alínea e), são inconstitucionais, dado que o artigo 13º/nº2 da Constituição da República Portuguesa, quem tem como epígrafe “princípio da igualdade”, diz que “ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de (…) orientação sexual”e que o artigo 36/nº1 estipula que “todos têm direito a constituir família e de contrair casamento em condições de plena igualdade”. Esta opinião é expressa num livro intitulado “O casamento das pessoas do mesmo sexo”, em que se dá pareceres a favor desta tese e também em alguns debates acerca deste tema, num dos quais eu assisti.
Primariamente é preciso referir que o principal argumento da inconstitucionalidade de dois artigos do código civil advém da expressão “orientação sexual” que consta no artigo 13º/nº2 da CRP. Esta expressão foi aditada na revisão constitucional de 2004, e é, desde aí, segundos autores desta tese, que advém a inconstitucionalidade. Não estou de acordo com esta opinião, pois não vejo qualquer inconstitucionalidade. Passo a explicar porquê.
Em primeiro lugar, creio que a modificação ao artigo 13º/nº2 não foi feita a pensar no casamento entre pessoas do mesmo sexo, ela surgiu sobretudo de uma forma simbólica, devido à sociedade portuguesa ser ainda uma sociedade fechada, e ostracizar, através de difamação, injurias e até por meios violentos, os homossexuais. Aliás, ao vermos como o artigo está construído, denotamos logo este aspecto. No seu nº1 refere “dignidade pessoal” e igualdade “perante a lei”, o seu nº2 só vem completar o nº1. O que está aqui em causa estritamente é a dignidade pessoal.
Como segundo argumento, creio que a expressão “família” e “casamento” no artigo 36º/nº2 tem claramente em vista a família “tradicional”, de um progenitor masculino e outro feminino, aliás basta estarmos atentos aos restantes números do mesmo artigo.
Como terceiro e último argumento (ou contra argumento), creio que ao dizermos que a proibição do casamento entre pessoas do mesmo sexo com o raciocínio de que assim viola o princípio da igualdade do nº2 do artigo 13º estamos a estender demasiado o princípio da igualdade estipulado. Aliás, é legítimo fazermos a pergunta: até onde vai, com esta forma de raciocínio, o princípio da igualdade? Será que se amanhã surgirem movimentos sociais defendendo o casamento entre casais polígamos, teríamos que aprová-los pois ofenderia a “orientação sexual” destas pessoas? Com este argumento é óbvio que sim.
E não se venha com o argumento que a poligamia tem sido proibida em países como a Turquia e a Tunísia, pois a poligamia não é só a que se exerce nos países árabes, pois essa, na verdade ofenderia o direito das mulheres devido á sua submissão ao homem. Essa é um tipo de poligamia. Na verdade, a poligamia é definida como um tipo de relacionamento amoroso e sexual entre várias pessoas. Penso que não se pode interpretar desta maneira, a constituição tem cláusulas gerais, como que directrizes ou seja, tem uma reserva mínima de lei, que depois vai ser desenvolvida pela lei em sentido stricto sensu.
Isto são os meus argumentos, penso que a defesa do casamento entre pessoas do mesmo sexo nunca pode adoptar o caminho jurídico da defesa da inconstitucionalidade. Juridicamente, para mim, essa discussão não tem argumentos cientificamente capazes e coerentes.
Como já tive ocasião de referir neste blog, sou totalmente a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo e para aí remeto a análise das minhas razões, contudo, não estou de acordo com a análise feita por muitos juristas, que apoiando o casamento entre pessoas do mesmo sexo, apoiam-se no argumento de que os artigos 1577.º e 1628.º, alínea e), são inconstitucionais, dado que o artigo 13º/nº2 da Constituição da República Portuguesa, quem tem como epígrafe “princípio da igualdade”, diz que “ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de (…) orientação sexual”e que o artigo 36/nº1 estipula que “todos têm direito a constituir família e de contrair casamento em condições de plena igualdade”. Esta opinião é expressa num livro intitulado “O casamento das pessoas do mesmo sexo”, em que se dá pareceres a favor desta tese e também em alguns debates acerca deste tema, num dos quais eu assisti.
Primariamente é preciso referir que o principal argumento da inconstitucionalidade de dois artigos do código civil advém da expressão “orientação sexual” que consta no artigo 13º/nº2 da CRP. Esta expressão foi aditada na revisão constitucional de 2004, e é, desde aí, segundos autores desta tese, que advém a inconstitucionalidade. Não estou de acordo com esta opinião, pois não vejo qualquer inconstitucionalidade. Passo a explicar porquê.
Em primeiro lugar, creio que a modificação ao artigo 13º/nº2 não foi feita a pensar no casamento entre pessoas do mesmo sexo, ela surgiu sobretudo de uma forma simbólica, devido à sociedade portuguesa ser ainda uma sociedade fechada, e ostracizar, através de difamação, injurias e até por meios violentos, os homossexuais. Aliás, ao vermos como o artigo está construído, denotamos logo este aspecto. No seu nº1 refere “dignidade pessoal” e igualdade “perante a lei”, o seu nº2 só vem completar o nº1. O que está aqui em causa estritamente é a dignidade pessoal.
Como segundo argumento, creio que a expressão “família” e “casamento” no artigo 36º/nº2 tem claramente em vista a família “tradicional”, de um progenitor masculino e outro feminino, aliás basta estarmos atentos aos restantes números do mesmo artigo.
Como terceiro e último argumento (ou contra argumento), creio que ao dizermos que a proibição do casamento entre pessoas do mesmo sexo com o raciocínio de que assim viola o princípio da igualdade do nº2 do artigo 13º estamos a estender demasiado o princípio da igualdade estipulado. Aliás, é legítimo fazermos a pergunta: até onde vai, com esta forma de raciocínio, o princípio da igualdade? Será que se amanhã surgirem movimentos sociais defendendo o casamento entre casais polígamos, teríamos que aprová-los pois ofenderia a “orientação sexual” destas pessoas? Com este argumento é óbvio que sim.
E não se venha com o argumento que a poligamia tem sido proibida em países como a Turquia e a Tunísia, pois a poligamia não é só a que se exerce nos países árabes, pois essa, na verdade ofenderia o direito das mulheres devido á sua submissão ao homem. Essa é um tipo de poligamia. Na verdade, a poligamia é definida como um tipo de relacionamento amoroso e sexual entre várias pessoas. Penso que não se pode interpretar desta maneira, a constituição tem cláusulas gerais, como que directrizes ou seja, tem uma reserva mínima de lei, que depois vai ser desenvolvida pela lei em sentido stricto sensu.
Isto são os meus argumentos, penso que a defesa do casamento entre pessoas do mesmo sexo nunca pode adoptar o caminho jurídico da defesa da inconstitucionalidade. Juridicamente, para mim, essa discussão não tem argumentos cientificamente capazes e coerentes.
sábado, 7 de março de 2009
HACIA UNA GESTION DEL CONOCIMIENTO
Saliendo un poco de los temas tradicionales del blog, he decidido tratar un tema de vital importancia para los juristas y abogados de las nuevas generaciones, y es el de la gestión del conocimiento en el mundo de hoy.
La promoción de la propiedad intelectual es indudablemente un instrumento para el desarrollo y progreso. Como es bien sabido, actualmente se evidencia un cambio de paradigma respecto al concepto de la valoración de los activos en las empresas y universidades. Países desarrollados como USA, algunos europeos y asiáticos han logrado ser pioneros en la generación y protección del conocimiento, generalmente a través de la inversión en I+D+I, transferencia de tecnología y sólidas políticas de propiedad intelectual, teniendo de este modo enormes ventajas competitivas en el mercado mundial. Contrario a este comportamiento, en muchos países en desarrollo todavía es precaria la gestión de la propiedad intelectual, no obstante, existiendo en los últimos años mayor inversión pública y privada en Ciencia, Tecnología e Innovación mediante convenios Universidad-Empresa y el fortalecimiento de una cultura del emprendimiento. Así, este campo tan importante para el desarrollo económico, social y científico de un país aún se encuentra en una etapa incipiente de exploración.
Estamos ante una transformación de la sociedad que exige profesionales en derecho con una avanzada formación en gestión del conocimiento, no solo el generador de dividendos económicos, sino también aquel que contribuye al avance científico y tecnológico.
En este sentido, este campo que hace parte del derecho mercantil, pero que requiere competencias interdisciplinares, ha ido tomando fuerza en las últimas décadas, consolidándose como una excelente área de trabajo para las nuevas generaciones de abogados y juristas.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
O fim dos sonhos
Depois de mais uma semana em que se falou muita da crise e as suas consequências geopolíticas, vendo deixar um conselho, para um leitura breve e agradável de um ensaio escrito por Robert Kagan.
Robert Kagan no ensaio mais recente que dá pelo nome “O regresso da história e o fim dos sonhos”, vai alertar para os desafios que as democracias liberais têm pela frente.
O fim da história proclamado por Fukuyama não se vislumbra, sendo que, Kangan, com a sua concepção realista, faz um retrato exacto de como é hoje a geopolítca mundial e faz previsões, alertando as democracias para os facto de terem de ser elas a querer moldar o futuro e não deixar que outros o façam.
O escrito tem várias partes, sendo que algumas delas são dedicadas ás chamadas “potências regionais”, como a Rússia, Irão, China. Índia e Japão.
Concordo com muitas das análises feitas por Kagan. Na verdade, depois da queda do comunismo houve uma certa ilusão nas democracias liberais que todos os países mais cedo ou mais tarde iriam convergir para as suas ideias. Mas enganaram-se. Como Kagan refere “o nacionalismo de grande potência” regressou. A Rússia e a china são uns dos exemplos. A verdade é que a Rússia não ambiciona um regresso ao comunismo, “no fundo eles anseiam, pelos tempos em que a Rússia era respeitada pelos outros e capaz de influenciar o mundo e salvaguardar os interesses do país”. Quanto á outra autocracia, a China, cada vez mais comporta-se como uma potência sedenta de reconhecimento e ferida no seu orgulho por o Ocidente estar sempre a apontar-lhes o dedo na questão dos direitos humanos e a apoiar Taiwan. Como refere o livro “a economia chinesa em boom não se limitou a envolver a China no mundo. Deu ao povo chinês e à sua liderança uma nova confiança, um novo orgulho e um sentimento nada desrazoável que o futuro lhes pertence”.
Kagan fala também do Japão e Índia, que apesar de serem neste momento pró ocidentais, a sua ascensão vai colidir com muitos outros desejos de poder na região, ainda mais para o facto de várias países deterem ou estarem a fazer para ter armas nucleares.
Quanto ao Irão ele também “se encaixa no velho modelo de ambição nacional”. Embora com menos pretensões que a Rússia e a China, o Irão pretende ser uma potência regional, sentindo-se cada vez mais ameaçada por ter á porta diversos governos árabes sunitas, e para o facto de os Estados Unidos (“o grande Satã”) interferirem no seu programa nuclear.
Dos EUA, Robert Kagan, faz algumas criticas à política externa feita por eles, sendo que muitas delas estou de acordo. Os EUA, sentindo que tem superioridade moral no mundo, muitas vezes intervêm quando não o deviam fazer e outras não o fazem, quando o deviam.
Como não podia deixar de ser, existe ainda a referencia ao Islamismo radical. Mas neste aspecto, o ensaio é contundente. Diz que o conflito entre o Ocidente e o Islão radical é o outro grande conflito do sistema internacional, mas a certa altura diz, e penso que com razão, de que “trata-se, no entanto, de um combate solitário e (…) desesperado, porque na luta entre o tradicionalismo e a modernidade, a tradição não pode vencer - mesmo que as forças tradicionais, possuidoras de armas, tecnologias e ideologias modernas possam (…) produzir estragos horrendos”.
Por último, só queria comentar uma sugestão que o autor faz no ensaio. A sugestão, que não é nova, é a de criar uma liga para as democracias (ou um concerto de democracias). Eu não concordo com esta ideia. Em primeiro lugar isto retiraria muita da importância que a ONU tem no panorama mundial, sendo que, embora seja constituída por todo o tipo de países, é, muitas vezes, a única forma de coloca-los a dialogar. Depois, uma liga das democracias vinha agravar certas relações entre países, pois, muitos dos que ficassem de fora iam sentir-se ostracizados. Finalmente, uma organização deste tipo podia ter o efeito de transformar o mundo novamente em dois blocos inimigos, o bloco das democracias, e outro composto por autocracias, teocracias e/ou outros países anti ocidente.
A referência que eu fiz ao ensaio foi breve, somente para dar uma sugestão, pelo que aqui fica o conselho de leitura para quem gosta de geopolítica e relações internacionais.
Robert Kagan no ensaio mais recente que dá pelo nome “O regresso da história e o fim dos sonhos”, vai alertar para os desafios que as democracias liberais têm pela frente.
O fim da história proclamado por Fukuyama não se vislumbra, sendo que, Kangan, com a sua concepção realista, faz um retrato exacto de como é hoje a geopolítca mundial e faz previsões, alertando as democracias para os facto de terem de ser elas a querer moldar o futuro e não deixar que outros o façam.
O escrito tem várias partes, sendo que algumas delas são dedicadas ás chamadas “potências regionais”, como a Rússia, Irão, China. Índia e Japão.
Concordo com muitas das análises feitas por Kagan. Na verdade, depois da queda do comunismo houve uma certa ilusão nas democracias liberais que todos os países mais cedo ou mais tarde iriam convergir para as suas ideias. Mas enganaram-se. Como Kagan refere “o nacionalismo de grande potência” regressou. A Rússia e a china são uns dos exemplos. A verdade é que a Rússia não ambiciona um regresso ao comunismo, “no fundo eles anseiam, pelos tempos em que a Rússia era respeitada pelos outros e capaz de influenciar o mundo e salvaguardar os interesses do país”. Quanto á outra autocracia, a China, cada vez mais comporta-se como uma potência sedenta de reconhecimento e ferida no seu orgulho por o Ocidente estar sempre a apontar-lhes o dedo na questão dos direitos humanos e a apoiar Taiwan. Como refere o livro “a economia chinesa em boom não se limitou a envolver a China no mundo. Deu ao povo chinês e à sua liderança uma nova confiança, um novo orgulho e um sentimento nada desrazoável que o futuro lhes pertence”.
Kagan fala também do Japão e Índia, que apesar de serem neste momento pró ocidentais, a sua ascensão vai colidir com muitos outros desejos de poder na região, ainda mais para o facto de várias países deterem ou estarem a fazer para ter armas nucleares.
Quanto ao Irão ele também “se encaixa no velho modelo de ambição nacional”. Embora com menos pretensões que a Rússia e a China, o Irão pretende ser uma potência regional, sentindo-se cada vez mais ameaçada por ter á porta diversos governos árabes sunitas, e para o facto de os Estados Unidos (“o grande Satã”) interferirem no seu programa nuclear.
Dos EUA, Robert Kagan, faz algumas criticas à política externa feita por eles, sendo que muitas delas estou de acordo. Os EUA, sentindo que tem superioridade moral no mundo, muitas vezes intervêm quando não o deviam fazer e outras não o fazem, quando o deviam.
Como não podia deixar de ser, existe ainda a referencia ao Islamismo radical. Mas neste aspecto, o ensaio é contundente. Diz que o conflito entre o Ocidente e o Islão radical é o outro grande conflito do sistema internacional, mas a certa altura diz, e penso que com razão, de que “trata-se, no entanto, de um combate solitário e (…) desesperado, porque na luta entre o tradicionalismo e a modernidade, a tradição não pode vencer - mesmo que as forças tradicionais, possuidoras de armas, tecnologias e ideologias modernas possam (…) produzir estragos horrendos”.
Por último, só queria comentar uma sugestão que o autor faz no ensaio. A sugestão, que não é nova, é a de criar uma liga para as democracias (ou um concerto de democracias). Eu não concordo com esta ideia. Em primeiro lugar isto retiraria muita da importância que a ONU tem no panorama mundial, sendo que, embora seja constituída por todo o tipo de países, é, muitas vezes, a única forma de coloca-los a dialogar. Depois, uma liga das democracias vinha agravar certas relações entre países, pois, muitos dos que ficassem de fora iam sentir-se ostracizados. Finalmente, uma organização deste tipo podia ter o efeito de transformar o mundo novamente em dois blocos inimigos, o bloco das democracias, e outro composto por autocracias, teocracias e/ou outros países anti ocidente.
A referência que eu fiz ao ensaio foi breve, somente para dar uma sugestão, pelo que aqui fica o conselho de leitura para quem gosta de geopolítica e relações internacionais.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Lembrando Darwin (1809-1882)
"O homem ainda traz na sua estrutura física a marca indelével da sua origem primitiva"
Charles Darwin fazia hoje 200 anos se fosse vivo.
A razão de ser do escrito acerca deste homem deve-se á grande curiosidade e admiração que eu tenho por ele.
Darwin for um naturalista britânico, a sua obra acerca da evolução, que segundo ele, dá-se através da selecção natural e sexual, continua intocável.
O seu livro de 1859 “A origem das espécies” ainda hoje continua a ser admirado e a gerar controvérsia.
Para além do grande avanço ao nível da biologia, a obra de Darwin teve repercussões ainda no campo da Teologia e Antropologia, sendo que estes últimos tiveram influência na política e nas suas diversas ideologias.
No princípio do século XX estas teorias foram aproveitadas para dar crédito ao racismo e imperialismo, o chamado “Darwinismo Social”, injustamente, pois Darwin nunca acreditou que a sua teoria se aplicava a qualquer governo ou ordem social. O que é certo é que Darwin afirmou que o homem também ele é um animal, sendo descendente dos macacos, o que provocou que a Igreja o contestasse em massa. Em termos antropológicos influenciou a grande dicotomia politica esquerda/direita. Afectou a direita conservadora e religiosa, pois para eles tudo provinha de Deus (até os títulos nobiliárquicos). Afectou também a esquerda, pois esta baseia-se num optimismo antropológico, dizendo que o homem é “bom” por natureza, estando a ser corrompido pelas diversas instituições seculares (família, igreja e estado), o que se fosse verdade dava ao homem um natureza pouco animal, que é um dos pontos que Darwin veio provar.
Por fim deixo uma sugestão de um livro, que é um romance de John Darnton, que combina a verdade com a ficção, dando uma biografia de Darwin em diversas perspectivas, o livro intitula-se "O pecado de Darwin".
Charles Darwin fazia hoje 200 anos se fosse vivo.
A razão de ser do escrito acerca deste homem deve-se á grande curiosidade e admiração que eu tenho por ele.
Darwin for um naturalista britânico, a sua obra acerca da evolução, que segundo ele, dá-se através da selecção natural e sexual, continua intocável.
O seu livro de 1859 “A origem das espécies” ainda hoje continua a ser admirado e a gerar controvérsia.
Para além do grande avanço ao nível da biologia, a obra de Darwin teve repercussões ainda no campo da Teologia e Antropologia, sendo que estes últimos tiveram influência na política e nas suas diversas ideologias.
No princípio do século XX estas teorias foram aproveitadas para dar crédito ao racismo e imperialismo, o chamado “Darwinismo Social”, injustamente, pois Darwin nunca acreditou que a sua teoria se aplicava a qualquer governo ou ordem social. O que é certo é que Darwin afirmou que o homem também ele é um animal, sendo descendente dos macacos, o que provocou que a Igreja o contestasse em massa. Em termos antropológicos influenciou a grande dicotomia politica esquerda/direita. Afectou a direita conservadora e religiosa, pois para eles tudo provinha de Deus (até os títulos nobiliárquicos). Afectou também a esquerda, pois esta baseia-se num optimismo antropológico, dizendo que o homem é “bom” por natureza, estando a ser corrompido pelas diversas instituições seculares (família, igreja e estado), o que se fosse verdade dava ao homem um natureza pouco animal, que é um dos pontos que Darwin veio provar.
Por fim deixo uma sugestão de um livro, que é um romance de John Darnton, que combina a verdade com a ficção, dando uma biografia de Darwin em diversas perspectivas, o livro intitula-se "O pecado de Darwin".
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
o método socrático-queirosiano
O que têm em comum a despenalização do aborto e o casamento dos homossexuais?o novo estatuto político-administrativo dos açores e a eutanásia?aparentemente nada,no entanto,torna-se aqui necessário fazer um exercicio de interpretação,bastante interessante por sinal.
Ora vejamos:temos um país em crise, uma taxa de desemprego crescente,descontentamento,desânimo,cartas rogatórias inglesas,tios que queimam sobrinhos na praça pública,numa demonstração de folhetim mexicano que ultrapassa os limites da ficcção de má qualidade,género fotonovela de jornal gratutio... .Qual a relação entre estes dois conjuntos de factos que nada têm aparentemente em comum?É fácil,uma simples relação de causa-efeito ou solução-problema,não será difícil ao comum dos mortais reconhecer a forma pouco inteligente como o nosso executivo tem feito frente aos problemas do país,fugindo ao confronto directo com sindicatos ou com a oposição(a pouca que ainda existe),e opondo a cada nova adversidade uma nova panaceia que faça o Zé Povinho sonhar durante mais uns tempos e esqueçer que afinal até está desempregado,a prestação da casa não pára de subir e que os filhos não têm aulas porque os professores estão permanentemente em greve.
Aposto que José Sócrates é fã de Eça e que preferiu claramente à Anita ou aos livros do Calvin,as dissertações de Zola ou Balzac,porquê?Porque qualquer destes autors tem uma galeria de personagens que usa recorrentemente nos seus romances:a mulher adúltera,a viúva alegre,a criada ambiciosa..Sócrates funciona do mesmo modo,o país está em crise?vamos fazer um novo aeroporto.Há polémica sobre o caso freeport?vamos relançar a discussão sobre a eutanásia.É exactamente o mesmo método;temos um conjunto de medidas populistas/pouco úteis;na maioria da casos,que são relançadas de cada vez que é preciso resolver algum problema no país.Assim qualquer um pode ser Primeiro-Ministro,mesmo sem fazer inglês técnico.... Resta saber se Eça terá construído alguma personagem que caracterize governantes incompetentes.
Ora vejamos:temos um país em crise, uma taxa de desemprego crescente,descontentamento,desânimo,cartas rogatórias inglesas,tios que queimam sobrinhos na praça pública,numa demonstração de folhetim mexicano que ultrapassa os limites da ficcção de má qualidade,género fotonovela de jornal gratutio... .Qual a relação entre estes dois conjuntos de factos que nada têm aparentemente em comum?É fácil,uma simples relação de causa-efeito ou solução-problema,não será difícil ao comum dos mortais reconhecer a forma pouco inteligente como o nosso executivo tem feito frente aos problemas do país,fugindo ao confronto directo com sindicatos ou com a oposição(a pouca que ainda existe),e opondo a cada nova adversidade uma nova panaceia que faça o Zé Povinho sonhar durante mais uns tempos e esqueçer que afinal até está desempregado,a prestação da casa não pára de subir e que os filhos não têm aulas porque os professores estão permanentemente em greve.
Aposto que José Sócrates é fã de Eça e que preferiu claramente à Anita ou aos livros do Calvin,as dissertações de Zola ou Balzac,porquê?Porque qualquer destes autors tem uma galeria de personagens que usa recorrentemente nos seus romances:a mulher adúltera,a viúva alegre,a criada ambiciosa..Sócrates funciona do mesmo modo,o país está em crise?vamos fazer um novo aeroporto.Há polémica sobre o caso freeport?vamos relançar a discussão sobre a eutanásia.É exactamente o mesmo método;temos um conjunto de medidas populistas/pouco úteis;na maioria da casos,que são relançadas de cada vez que é preciso resolver algum problema no país.Assim qualquer um pode ser Primeiro-Ministro,mesmo sem fazer inglês técnico.... Resta saber se Eça terá construído alguma personagem que caracterize governantes incompetentes.
www.adoptaunsecuestrado.org

“…más allá de las cadenas en su cuello, lo que más le atormenta -tras nueve años dos meses secuestrado - es “la maldad del malo y la indiferencia del bueno”….
Coronel mendieta
Como muchas personas en este planeta, me siento impotente para realizar actos que realmente contribuyan a la consecución de un mundo más justo, con menos desigualdad, y sin actos tan atroces como el secuestro.
Después de muchos años de búsqueda de alternativas para dejar de ser una de las miles de personas que se suman a la “indiferencia del bueno”, encontré una iniciativa digna de admiración. Se trata de adopta un secuestrado, proyecto que tiene como finalidad empoderarnos del drama que viven cerca de 1900 colombianos que se encuentran en cautiverio, mediante la adopción de uno de ellos con el objetivo de luchar por su libertad.
Coronel mendieta
Como muchas personas en este planeta, me siento impotente para realizar actos que realmente contribuyan a la consecución de un mundo más justo, con menos desigualdad, y sin actos tan atroces como el secuestro.
Después de muchos años de búsqueda de alternativas para dejar de ser una de las miles de personas que se suman a la “indiferencia del bueno”, encontré una iniciativa digna de admiración. Se trata de adopta un secuestrado, proyecto que tiene como finalidad empoderarnos del drama que viven cerca de 1900 colombianos que se encuentran en cautiverio, mediante la adopción de uno de ellos con el objetivo de luchar por su libertad.
La invitación está abierta a todas aquellas personas que quieran contribuir en la búsqueda de la liberación de uno de los miles de secuestrados en Colombia, alzando su voz de protesta, enviando mensajes radiales a su secuestrado adoptivo (único contacto con el mundo exterior de los secuestrados, ya que se les permite escuchar la radio y por tanto los mensajes son su principal fuerza para seguir adelante), y realizando todas aquellas acciones que pacíficamente busquen alcanzar a este noble fin.
En el sitio web http://www.adoptaunsecuestrado.org/ encontrará un formulario que le permitirá manifestar su decisión de adoptar una persona secuestrada.
Sean todos bienvenidos en la lucha por la libertad!
*Como muitas pessoas neste planeta, cheio de injustiças, desigualdades e actos bárbaros, sinto-me impotente para realizar actos que realmente contribuam para a realização de um mundo mais justo, com menos desigualdade e sem actos tão atrozes como o sequestro.
Depois de muitos anos em busca de alternativas para deixar de ser uma das muitas pessoas que se resumem á “boa indiferença”, encontrei uma iniciativa digna de admiração. Trata-se de adopta um sequestrado, projecto que tem como finalidade dar nos conta do drama em que vivem cerca de 1900 de colombianos que se encontram em cativeiro, mediante a adopção de um deles, com o objectivo de lutar pela sua liberdade.
O convite é aberto a todas aquelas pessoas que querem contribuir numa tentativa de libertação de um dos milhares de sequestrados na Colômbia, exprimindo a sua voz de protesto, enviando mensagens por rádio ao seu sequestrado adoptivo (este é talvez o contacto mais directo com eles, sendo as mensagens a força que os leva a seguir em frente), e realizando todas aquelas acções que pacificamente tentam alcançar este nobre fim.
Sejam todos bem vindos à luta pela liberdade!
Depois de muitos anos em busca de alternativas para deixar de ser uma das muitas pessoas que se resumem á “boa indiferença”, encontrei uma iniciativa digna de admiração. Trata-se de adopta um sequestrado, projecto que tem como finalidade dar nos conta do drama em que vivem cerca de 1900 de colombianos que se encontram em cativeiro, mediante a adopção de um deles, com o objectivo de lutar pela sua liberdade.
O convite é aberto a todas aquelas pessoas que querem contribuir numa tentativa de libertação de um dos milhares de sequestrados na Colômbia, exprimindo a sua voz de protesto, enviando mensagens por rádio ao seu sequestrado adoptivo (este é talvez o contacto mais directo com eles, sendo as mensagens a força que os leva a seguir em frente), e realizando todas aquelas acções que pacificamente tentam alcançar este nobre fim.
Sejam todos bem vindos à luta pela liberdade!
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