Como comentário final e fechando a votação colocada aqui no blog sobre o referendo ao Tratado de Lisboa, já que esse mesmo tratado já foi aprovado pela A.R. e ratificado pelo Presidente da República, tenho duas notas sucintas a fazer.
A primeira diz respeito ao resultado da votação neste blog e ao problema de haver ou não haver referendo ao Tratado de Lisboa. Na votação deste blog o "Não" ganhou com um pouco de margem, creio que nesta matéria os portugueses estavam um pouco divididos, mas não tenho dúvidas que o facto de os dois maiores partidos portugueses não lutarem pelo referendo influenciou muito. Na minha opinião, confesso que tive um pouco dividido, pois, por um lado aceitava plenamente não existir referendo já que depois nos deparávamos com abstenções na ordem dos 60% (como é prática comum), e tendo o Tratado muita matéria económica, financeira e principalmente jurídica que não é apreensível a todos como é obvio, não serão somente os deputados (representantes do povo), que nós escolhemos, legítimos para discutir e aprovar uma matéria tão complexa como um tratado? As questões tem de ser discutidas a fundo, não é pôr um "Não" ou um "Sim" num referendo porque não se gostar da Europa, ou porque se pensar que vamos deixar de ter soberania, ou porque “aquele” ou o “outro” disse que era mau ou bom. Mas por outro lado via o referendo como uma oportunidade de discussão que, como sabemos, não havendo referendo essa discussão vai ser pouco profunda, e também com o argumento de que pela primeira vez em Portugal se discutir por referendo a Europa, coisa que nunca aconteceu.
A segunda nota que tenho a fazer, sendo esta a nota final, diz respeito ao meu agrado pelo facto de o Tratado de Lisboa ter sido, desde já, aprovado e ratificado em Portugal (embora não tendo existido Referendo). Desejo profundamente que ele possa entrar em vigor, não só como europeísta que sou, mas sobretudo pelo facto de achar que este Tratado é muito importante, pois há muito que fazia falta uma reforma deste tipo á União Europeia. Em linhas gerais refiro, para mim, as alterações mais importantes e significativas. Desde logo o facto de a Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia (a mais evoluída de todo o mundo) passar a ter valor jurídico e o facto de as instituições serem adaptadas á nova realidade de 27 Estados Membros (por exemplo: alargamento da maioria qualificada e o reforço do poder de co-decisão do Parlamento Europeu, sendo este o órgão democrático da União). Se não tivesse existido uma reforma nas instituições, estas ficariam um pouco obsoletas, devido á nova realidade da União, principalmente devido aos alargamentos.
sexta-feira, 23 de maio de 2008
segunda-feira, 31 de março de 2008
Honra á Poesia
O dia mundial da Poesia foi no passado dia 21 de Março, pelo que não posso deixar de apresentar um pequeno poema, como amante de poesia, para assinalar a data...
SONHO INACABADO…
Eras linda com o momento…
Momento belo, de felicidade que tive
Nem com mil anos se vive
Tal acontecimento sem tormento
Momento ansiado…
Qual dia não era pregado?
Aproximei-me devagar…
Por momentos não vivi
Coração parou…
Nadei nos teus lábios…
Doces como o açúcar que inventei
Só para ti, porque és única, eu sei…
Eu sei, sinto, descobri
És o meu amor!
És? Eras? Mas que dor!
Afinal…afinal sou um sonhador!
Deram-me felicidade eterna…
E assim… prefiro viver a sonhar
Do que cantar…
Um sonho inacabado...
SONHO INACABADO…
Eras linda com o momento…
Momento belo, de felicidade que tive
Nem com mil anos se vive
Tal acontecimento sem tormento
Momento ansiado…
Qual dia não era pregado?
Aproximei-me devagar…
Por momentos não vivi
Coração parou…
Nadei nos teus lábios…
Doces como o açúcar que inventei
Só para ti, porque és única, eu sei…
Eu sei, sinto, descobri
És o meu amor!
És? Eras? Mas que dor!
Afinal…afinal sou um sonhador!
Deram-me felicidade eterna…
E assim… prefiro viver a sonhar
Do que cantar…
Um sonho inacabado...
quinta-feira, 6 de março de 2008
Conflito na América Latina
Seguindo as notícias com atenção e preocupado com as evoluções dos acontecimentos, venho dar a minha opinião sobre o conflito (por enquanto diplomático) que decorre na América Latina.
Analisando do ponto de vista jurídico, através do Direito internacional, á primeira vista podemos concluir que a Colômbia esteve mal num aspecto, que foi o de proceder a acções militares em território de outro estado, sendo que a integridade territorial é uma norma de jus cogens (normas imperativas de Direito Internacional, que estão acima de todas as outras). Mas, depois de o computador de Reyes (militar das FARC) ter demonstrado que o Equador e a Venezuela andam a cooperar e a financiar a organização terrorista, que vive essencialmente dos raptos e narcotráfico (esta demonstração foi feita por a revista SEMANA, uma revista colombiana, em edição extraordinária), desde logo dou razão ao Presidente colombiano. É inadmissível que depois de declarações do Presidente venezuelano e do Presidente equatoriano (este disfarça melhor) a dizer que não apoiam as FARC vir-se a descobrir totalmente o contrario. E preciso referir que Uribe até agora tem actuado bem, não respondendo ás ameaças da Venezuela, ameaçando, e bem, interpor um processo judicial no Tribunal Penal internacional, por esta financiar terroristas e por se meter em assuntos interno do Estado Colombiano.
Se estivermos atentos ao comportamento do Presidente da Venezuela, Chavéz, conseguimos vislumbrar muitas acções em que vai de encontro ao Plano Guiacaipuro mencionado na Revista. Nestes últimos tempos, Chavez, já concedeu ás FARC os estatuto de rebeldes beligerantes (parecido ao estatuto que tinha o MPLA ou a FRELIMO) , tem constantemente levado a cabo acções para ter apoio popular e destabilizar o governo de Uribe (sendo parte nas negociações de reféns com as FARC), e agora por fim a sua ultima acção, sendo esta a mais ousada, e sem qualquer sentido, pois foi no Equador que se deu o incidente e não na Venezuela, que é o de por tropas nas fronteiras com a Colômbia. Só falta mesmo a última parte, que é a da invasão, com a ajuda, como ainda se refere a revista (nem que seja só operacional) do Equador, Bolívia, Cuba e Nicarágua...Enfim, citando “Foreign Policy”, estes regimes antes falhadas e agora renascidos, mas sem a sombra da passada URSS, são autênticos “Regressos dos idiotas”.
Para finalizar, só espero que este conflito cesse por aqui, pois seria grave um conflito naquela parte da região, já de si tão necessitada de tudo, mas não de guerra.
Analisando do ponto de vista jurídico, através do Direito internacional, á primeira vista podemos concluir que a Colômbia esteve mal num aspecto, que foi o de proceder a acções militares em território de outro estado, sendo que a integridade territorial é uma norma de jus cogens (normas imperativas de Direito Internacional, que estão acima de todas as outras). Mas, depois de o computador de Reyes (militar das FARC) ter demonstrado que o Equador e a Venezuela andam a cooperar e a financiar a organização terrorista, que vive essencialmente dos raptos e narcotráfico (esta demonstração foi feita por a revista SEMANA, uma revista colombiana, em edição extraordinária), desde logo dou razão ao Presidente colombiano. É inadmissível que depois de declarações do Presidente venezuelano e do Presidente equatoriano (este disfarça melhor) a dizer que não apoiam as FARC vir-se a descobrir totalmente o contrario. E preciso referir que Uribe até agora tem actuado bem, não respondendo ás ameaças da Venezuela, ameaçando, e bem, interpor um processo judicial no Tribunal Penal internacional, por esta financiar terroristas e por se meter em assuntos interno do Estado Colombiano.
Se estivermos atentos ao comportamento do Presidente da Venezuela, Chavéz, conseguimos vislumbrar muitas acções em que vai de encontro ao Plano Guiacaipuro mencionado na Revista. Nestes últimos tempos, Chavez, já concedeu ás FARC os estatuto de rebeldes beligerantes (parecido ao estatuto que tinha o MPLA ou a FRELIMO) , tem constantemente levado a cabo acções para ter apoio popular e destabilizar o governo de Uribe (sendo parte nas negociações de reféns com as FARC), e agora por fim a sua ultima acção, sendo esta a mais ousada, e sem qualquer sentido, pois foi no Equador que se deu o incidente e não na Venezuela, que é o de por tropas nas fronteiras com a Colômbia. Só falta mesmo a última parte, que é a da invasão, com a ajuda, como ainda se refere a revista (nem que seja só operacional) do Equador, Bolívia, Cuba e Nicarágua...Enfim, citando “Foreign Policy”, estes regimes antes falhadas e agora renascidos, mas sem a sombra da passada URSS, são autênticos “Regressos dos idiotas”.
Para finalizar, só espero que este conflito cesse por aqui, pois seria grave um conflito naquela parte da região, já de si tão necessitada de tudo, mas não de guerra.
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
O simplex sócratex
É assim mesmo meus amigos,tudo simples, tudo fácil,tudo na hora,qual Pizza Hut.
O nosso caríssimo Primeiro-Ministro já mostrou várias vezes que gosta das coisas simples (até nem faz questão de ratificar tratados semi-constitucionais,só para não complicar...) .Mas a sua nova medida,ultra-simplificadora,ultra-moderna,e segundo o governo ultra-vantajosa para todos os portugueses, é o fantástico "Casa Pronta" que tem nome de crédito por telefone;mas não, ainda não se faz por telefone,por enquanto,porque com um governo tão dado às novas técnologias e ao mundo cibernético,nunca se sabe...Elucidemos então o público,o "Casa Pronta" consiste num novo mecanismo que permite a qualquer cidadão comprar ou vender uma casa sem ter de recorrer a um notário privado,basta chegar ao balcão,sorrir para a funcionária de meia-idade (que com certeza há-de ter bigode),entregar o seu documento de identificação,PAGAR, e é bom escrever em maíusculas porque este é um processo em que o Estado tem mais de 90% de lucro,e esperar algumas semanas ou meses,para que "o processo seja tratado pelas instâncias competentes".. .Assim,fácil e eficazmente, os nossos governantes querem ser tão modernos que acabam por cair no ridículo de querer passar à frente de uma profissão com mais de dois mil anos de história!Sr.Maunel Alegre acorde,e ande lá com essa "corrente de opinião",de outro modo este PS vai acabar resumido a nada, de tanto simplificar.. .E acabo assim em seco,ou não fosse este um texto simplex!
O nosso caríssimo Primeiro-Ministro já mostrou várias vezes que gosta das coisas simples (até nem faz questão de ratificar tratados semi-constitucionais,só para não complicar...) .Mas a sua nova medida,ultra-simplificadora,ultra-moderna,e segundo o governo ultra-vantajosa para todos os portugueses, é o fantástico "Casa Pronta" que tem nome de crédito por telefone;mas não, ainda não se faz por telefone,por enquanto,porque com um governo tão dado às novas técnologias e ao mundo cibernético,nunca se sabe...Elucidemos então o público,o "Casa Pronta" consiste num novo mecanismo que permite a qualquer cidadão comprar ou vender uma casa sem ter de recorrer a um notário privado,basta chegar ao balcão,sorrir para a funcionária de meia-idade (que com certeza há-de ter bigode),entregar o seu documento de identificação,PAGAR, e é bom escrever em maíusculas porque este é um processo em que o Estado tem mais de 90% de lucro,e esperar algumas semanas ou meses,para que "o processo seja tratado pelas instâncias competentes".. .Assim,fácil e eficazmente, os nossos governantes querem ser tão modernos que acabam por cair no ridículo de querer passar à frente de uma profissão com mais de dois mil anos de história!Sr.Maunel Alegre acorde,e ande lá com essa "corrente de opinião",de outro modo este PS vai acabar resumido a nada, de tanto simplificar.. .E acabo assim em seco,ou não fosse este um texto simplex!
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Universalismo vs Relativismo
Decorrente de um trabalho voluntário de investigação que fiz, venho aqui apresentar um tema para todos os leitores interessados na matéria, mesmo para os que não gostam de direito acho que este tema se torna interessante. O tema em questão é a problemática dos direitos humanos, mais propriamente as teses universalistas e relativistas.
Começo com uma breve introdução geral sobre a origem dos direitos humanos, pois acho que é imprescindível para depois se debater as teses.
Os Direitos Humanos tiveram a sua origem no Ocidente, foram um produto da Europa moderna, do humanismo cosmopolita, individualista, que rompeu com as velhas tradições. O homem deixou de ser um simples membro de uma classe ou grupo social, afirmando-se como um indivíduo único e irrepetível, tendo direitos naturais inerentes á natureza humana. Os direitos naturais passaram a ser direitos individuais, independentes e passaram a ter um carácter universal. São vários os exemplos de direito positivo, que demonstram o avanço dos direitos do homem, nomeadamente a Bill of Rights de 1869 em Inglaterra, a declaração de Independência dos E.U.A. em 1776. Estas duas declarações já continham diversas liberdades, mas foi a declaração francesa dos direitos do homem e do cidadão de 1789 em que os direitos humanos são ainda mais patentes, dando-se mais prevalência aos direitos individuais.
As duas grandes guerras mundiais obrigariam a fixar novos mecanismos de tutela dos direitos humanos, a partir daqui não ficaria só a cargo dos Estados a sua tutela, mas também acima destes, tendo os Estados um compromisso perante a comunidade internacional. O que veio dar corpo a este pensamento foi a Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovada por Resolução da A.G. da ONU em 1948.
A grande expansão geográfica dos direitos humanos nas últimas décadas suscitou imensos debates acerca do tema, surgindo desses debates duas teses concretas, a tese relativista e a tese universalista.
Para os cultores da tese relativista, os direitos humanos sendo obra do Ocidente, só aí é que devem ser aplicados, pois foi a forma encontrada pelo Ocidente de prestar dignidade á pessoa humana, mas esta, ainda que sendo um valor universal conhece muitas formas de expressão. Depende muito com a inserção na sociedade, consoante a cultura, não existindo um modelo único, nem melhor. Para os relativistas, os teóricos dos direitos humanos incorreram numa pretensão impensável, que é o de tentar impor um modelo único ao mundo inteiro, pois, os membros de uma cultura ou civilização só estão habilitados a criticar a sua própria cultura e não outra qualquer alheia.
Para os teóricos da tese universalista o relativismo não passa de uma tese totalmente irresponsável. Para estes a inexistência de critérios morais absolutos, faz com que aja um vazio ético, de anarquia, e assim obriga-nos a pactuar com o terror, e não nos podemos insurgir contra práticas contrárias ao valores elementares de justiça, e ainda abrimos espaço a aproveitamentos políticos de tiranos. A unidade do género humano sobrepõe-se assim, á diversidade de culturas existentes, pois existe uma identidade humana universal. O facto de os direitos humanos terem sido obra do Ocidente nada obsta á sua aplicação, pois foi a melhor forma de tutela encontrada para a pessoa humana.
Depois de projectar as duas teorias passo á minha opinião pessoal. Confesso que variei muito, á primeira vista a minha opinião passava por apoiar a tese relativista, mas depois de muito discernir sobre este tema acabei por apoiar uma tese intermédia, que é a conciliação entre as duas, que muitos teóricos, hoje em dia, estão a desenvolver. É certo que os argumentos utilizados pelos relativistas de que a civilização Ocidental deve respeitar as outras culturas e que estas também são capazes de fazer o seus próprios direitos humanos é verdade. Mas não posso de maneira alguma ser inteiramente relativista (que é, de referir, a opinião da autora do livro de que eu tirei mais informações, "Os Direitos do Homem á escala das civilizações" de Patrícia Jerónimo) pois desde sempre houve aproveitamentos políticos de tiranos que, tendo como desculpa a sua própria cultura cometeram muitos actos que desrespeitaram os princípios mais elementares de justiça, que para mim esses sim são universais. Por isso acredito no diálogo inter-cultural, e a existência de um conjunto de valores "trans-culturais", tendo sempre como ponto assente que a dignidade humana é tutelada da mesma forma.
Começo com uma breve introdução geral sobre a origem dos direitos humanos, pois acho que é imprescindível para depois se debater as teses.
Os Direitos Humanos tiveram a sua origem no Ocidente, foram um produto da Europa moderna, do humanismo cosmopolita, individualista, que rompeu com as velhas tradições. O homem deixou de ser um simples membro de uma classe ou grupo social, afirmando-se como um indivíduo único e irrepetível, tendo direitos naturais inerentes á natureza humana. Os direitos naturais passaram a ser direitos individuais, independentes e passaram a ter um carácter universal. São vários os exemplos de direito positivo, que demonstram o avanço dos direitos do homem, nomeadamente a Bill of Rights de 1869 em Inglaterra, a declaração de Independência dos E.U.A. em 1776. Estas duas declarações já continham diversas liberdades, mas foi a declaração francesa dos direitos do homem e do cidadão de 1789 em que os direitos humanos são ainda mais patentes, dando-se mais prevalência aos direitos individuais.
As duas grandes guerras mundiais obrigariam a fixar novos mecanismos de tutela dos direitos humanos, a partir daqui não ficaria só a cargo dos Estados a sua tutela, mas também acima destes, tendo os Estados um compromisso perante a comunidade internacional. O que veio dar corpo a este pensamento foi a Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovada por Resolução da A.G. da ONU em 1948.
A grande expansão geográfica dos direitos humanos nas últimas décadas suscitou imensos debates acerca do tema, surgindo desses debates duas teses concretas, a tese relativista e a tese universalista.
Para os cultores da tese relativista, os direitos humanos sendo obra do Ocidente, só aí é que devem ser aplicados, pois foi a forma encontrada pelo Ocidente de prestar dignidade á pessoa humana, mas esta, ainda que sendo um valor universal conhece muitas formas de expressão. Depende muito com a inserção na sociedade, consoante a cultura, não existindo um modelo único, nem melhor. Para os relativistas, os teóricos dos direitos humanos incorreram numa pretensão impensável, que é o de tentar impor um modelo único ao mundo inteiro, pois, os membros de uma cultura ou civilização só estão habilitados a criticar a sua própria cultura e não outra qualquer alheia.
Para os teóricos da tese universalista o relativismo não passa de uma tese totalmente irresponsável. Para estes a inexistência de critérios morais absolutos, faz com que aja um vazio ético, de anarquia, e assim obriga-nos a pactuar com o terror, e não nos podemos insurgir contra práticas contrárias ao valores elementares de justiça, e ainda abrimos espaço a aproveitamentos políticos de tiranos. A unidade do género humano sobrepõe-se assim, á diversidade de culturas existentes, pois existe uma identidade humana universal. O facto de os direitos humanos terem sido obra do Ocidente nada obsta á sua aplicação, pois foi a melhor forma de tutela encontrada para a pessoa humana.
Depois de projectar as duas teorias passo á minha opinião pessoal. Confesso que variei muito, á primeira vista a minha opinião passava por apoiar a tese relativista, mas depois de muito discernir sobre este tema acabei por apoiar uma tese intermédia, que é a conciliação entre as duas, que muitos teóricos, hoje em dia, estão a desenvolver. É certo que os argumentos utilizados pelos relativistas de que a civilização Ocidental deve respeitar as outras culturas e que estas também são capazes de fazer o seus próprios direitos humanos é verdade. Mas não posso de maneira alguma ser inteiramente relativista (que é, de referir, a opinião da autora do livro de que eu tirei mais informações, "Os Direitos do Homem á escala das civilizações" de Patrícia Jerónimo) pois desde sempre houve aproveitamentos políticos de tiranos que, tendo como desculpa a sua própria cultura cometeram muitos actos que desrespeitaram os princípios mais elementares de justiça, que para mim esses sim são universais. Por isso acredito no diálogo inter-cultural, e a existência de um conjunto de valores "trans-culturais", tendo sempre como ponto assente que a dignidade humana é tutelada da mesma forma.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Voto de Pesar pelo Regicídio!
Consciente dos factos históricos e não querendo mudar a história, venho aqui declarar um voto de pesar pelo Regicídio ocorrido no dia 1 de Fevereiro de 1908.
Pensava, que não seria necessário faze-lo por aqui, pois a Assembleia da República o faria, sendo ela composta pelos representantes do povo. Mas, infelizmente enganei-me.
Sou republicano, acima de tudo democrata, e por isso mesmo acho que é uma falta de bom senso não ter sido aprovado um voto de pesar no Parlamento. Se todos os que lá estão são democratas porque não o fizeram? Têm medo do quê? Que a monarquia volte?
A monarquia vigente na epoca do regicidio não era uma ditadura, assentava na Carta Constitucuinal de 1826, que não era tão liberal como a Constituição de 1822 e de 1838, mas tinha os poderes divididos, sendo que o poder legislativo cabia á corte (Camara dos deputados e camara dos pares, ainda que por volta de 1907 o poder legislativo estivesse na posse do governo até novas eleições, mas não na posse do Rei), o poder judicial aos tribunais, o executivo pretencia ao Rei, exercido em conjunto com os ministros de Estados, e ainda havia o poder moderador, esse sim, já um poder que centralizava a governação, que pertencia ao Rei.De qualquer maneira, não vivíamos numa ditadura, pelo que esta desculpa não pode ser apresentada por muitos deputados que votaram contra o voto de pesar.
Outro das desculpas que eu ouvi foi que votar a favor era dar um "voto contra a República", isto não tem qualquer lógica, pois o texto contido no voto de pesar que se ia votar não enaltecia a Monarquia, era apenas um voto de pesar por os 100 anos da morte de um chefe de estado e de seu filho, depois eu acho incrível como a República de hoje em dia se revê na República saída da Constituição de 1911, uma replublica frágil, absurda, em que quase todas as semanas havia um governo novo, que só pôde ser mesmo parada através de um golpe de estado militar. Eu revejo-me na República saída do 25 de Abril, tenha ela os defeitos que tiver, é preciso ver que República é um termo muito pluralizado, que a Constituição de 1911 e 1976 sendo as duas republicanas, têm diferenças muito vincadas.
Para finalizar, como democrata faria todo o sentido que este voto de pesar tivesse sido aprovado, quem é democrata aceita e respeita as diferanças, é tolerante e como consciente da historia tem de saber honra-la, pois D.Carlos não foi o unico Rei que Portugal teve, Portugal teve reis desde 1143, antes mesmo da independência teve reis visigodos, por isso, devia-se ver este voto de pesar como um respeito pelas monarquias que vigoram seculos e séculos em Portugal e que apesar de estarmos orgulhosos de sermos republicanos, temos de concordar que a Monarquia em certas épocas deu muito a Portugal.
Pensava, que não seria necessário faze-lo por aqui, pois a Assembleia da República o faria, sendo ela composta pelos representantes do povo. Mas, infelizmente enganei-me.
Sou republicano, acima de tudo democrata, e por isso mesmo acho que é uma falta de bom senso não ter sido aprovado um voto de pesar no Parlamento. Se todos os que lá estão são democratas porque não o fizeram? Têm medo do quê? Que a monarquia volte?
A monarquia vigente na epoca do regicidio não era uma ditadura, assentava na Carta Constitucuinal de 1826, que não era tão liberal como a Constituição de 1822 e de 1838, mas tinha os poderes divididos, sendo que o poder legislativo cabia á corte (Camara dos deputados e camara dos pares, ainda que por volta de 1907 o poder legislativo estivesse na posse do governo até novas eleições, mas não na posse do Rei), o poder judicial aos tribunais, o executivo pretencia ao Rei, exercido em conjunto com os ministros de Estados, e ainda havia o poder moderador, esse sim, já um poder que centralizava a governação, que pertencia ao Rei.De qualquer maneira, não vivíamos numa ditadura, pelo que esta desculpa não pode ser apresentada por muitos deputados que votaram contra o voto de pesar.
Outro das desculpas que eu ouvi foi que votar a favor era dar um "voto contra a República", isto não tem qualquer lógica, pois o texto contido no voto de pesar que se ia votar não enaltecia a Monarquia, era apenas um voto de pesar por os 100 anos da morte de um chefe de estado e de seu filho, depois eu acho incrível como a República de hoje em dia se revê na República saída da Constituição de 1911, uma replublica frágil, absurda, em que quase todas as semanas havia um governo novo, que só pôde ser mesmo parada através de um golpe de estado militar. Eu revejo-me na República saída do 25 de Abril, tenha ela os defeitos que tiver, é preciso ver que República é um termo muito pluralizado, que a Constituição de 1911 e 1976 sendo as duas republicanas, têm diferenças muito vincadas.
Para finalizar, como democrata faria todo o sentido que este voto de pesar tivesse sido aprovado, quem é democrata aceita e respeita as diferanças, é tolerante e como consciente da historia tem de saber honra-la, pois D.Carlos não foi o unico Rei que Portugal teve, Portugal teve reis desde 1143, antes mesmo da independência teve reis visigodos, por isso, devia-se ver este voto de pesar como um respeito pelas monarquias que vigoram seculos e séculos em Portugal e que apesar de estarmos orgulhosos de sermos republicanos, temos de concordar que a Monarquia em certas épocas deu muito a Portugal.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Saudável lei!
Venho jubilar, sim jubilar, pois finalmente a vacatio legis terminou e a lei nº37/2007 de 14 de Agosto entrou em vigor.
A famosa lei sobre a proibição do "fumo" veio dar-me a espantosa noção da droga que o tabaco representa. Vejo pessoas "amontoadas" em frente a estabelecimentos comercias dando o seu ultimo "bafo", como se tal coisa lhes fosse dar vida, e muitos outros murmurando contra a lei. Mas, de tudo isto,o que mais me surpreendeu foi o facto de colunistas respeitados compararem a lei a decretos anti judeus feitos pelos Nazis! Esta inimaginável comparação só pode ser fruto de uma coisa: ressaca e consequentemente falta de tabaco!
Pelo menos, devido a estes "decretos fascistas" já não vamos ter a roupa toda a cheirar e a deteriorar-se devido ao fumo, de termos de fumar sei lá quantos cigarros passivamente, nem de comer com uma leve brisa de Camel, SG (ou outra qualquer!).
A famosa lei sobre a proibição do "fumo" veio dar-me a espantosa noção da droga que o tabaco representa. Vejo pessoas "amontoadas" em frente a estabelecimentos comercias dando o seu ultimo "bafo", como se tal coisa lhes fosse dar vida, e muitos outros murmurando contra a lei. Mas, de tudo isto,o que mais me surpreendeu foi o facto de colunistas respeitados compararem a lei a decretos anti judeus feitos pelos Nazis! Esta inimaginável comparação só pode ser fruto de uma coisa: ressaca e consequentemente falta de tabaco!
Pelo menos, devido a estes "decretos fascistas" já não vamos ter a roupa toda a cheirar e a deteriorar-se devido ao fumo, de termos de fumar sei lá quantos cigarros passivamente, nem de comer com uma leve brisa de Camel, SG (ou outra qualquer!).
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